segunda-feira, 6 de maio de 2013

Primeiro Atlas dos Solos de África mostra recursos vitais



(Ciência Hoje - Portugal)  A Comissão Europeia apresentou na passada sexta-feira o primeiro Atlas dos Solos de África, dando destaque a um recurso natural vital que produz alimentos, forragens e lenha para combustível, reduz o risco de inundações e protege as reservas de água. Com mapas e ilustrações a cores, a compilação explica de uma forma simples e clara a diversidade dos solos em todo o continente africano e sublinha a importância deste recurso não renovável.

Um grupo de cientistas europeus e africanos de renome internacional, coordenado pelo serviço científico interno da Comissão Europeia – o Centro Comum de Investigação (JRC) –, contribuiu para a elaboração deste Atlas. O objectivo é promover a sensibilização a todos os níveis — desde os políticos até ao público em geral — sobre a importância dos solos para a vida em África.

Na apresentação do Atlas, realizada na reunião entre os Colégios da Comissão Europeia e da Comissão da União Africana em Addis Abeba, a comissária europeia responsável pela Acção Climática, Connie Hedegaard, declarou: “Os solos de África têm um papel crucial a desempenhar nas políticas de atenuação das alterações climáticas e de adaptação às mesmas e constituem a base do desenvolvimento sustentável e da segurança alimentar. A produtividade das terras é fundamental para atingir muitos dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”.

Do seu lado, Máire Geoghegan-Quinn, responsável pela Investigação, Inovação e Ciência, acrescentou que “ao proporcionar uma avaliação aprofundada deste recurso natural limitado, esperamos sensibilizar para a necessidade de uma melhor protecção e gestão sustentável do solo africano”.

No continente africano, os desertos e terras secas representam 60 por cento da superfície, com uma população superior a mil milhões de habitantes. Grande parte das restantes terras é constituída por solos antigos e altamente erodidos, que exigem uma especial atenção para utilização na agricultura.

O aumento da população e da urbanização, associado a desafios económicos contraditórios (cultivo de culturas de rendimento para exportação, produção de biocombustíveis, conservação da biodiversidade, extracção mineira, captura de carbono), aumentam a pressão, que já é grande, sobre os solos.

Solos férteis para combater a fome
Solos férteis e produtivos são factores essenciais para combater a fome e constituem um desafio especial em África, tendo em conta que, em muitas regiões, o ritmo de aplicação de adubos não consegue compensar a perda de nutrientes dos solos.

A tomada de decisões informadas está actualmente limitada pela escassez de dados actualizados sobre os recursos de África. O JRC, em colaboração com a FAO e especialistas africanos no domínio dos solos, irá proceder a uma avaliação pan-africana sobre o estado dos recursos dos solos na Conferência da Sociedade Africana de Pedologia, a realizar proximamente no Quénia (Outubro de 2013).

O Atlas dos Solos é o resultado de uma colaboração entre a União Europeia, a União Africana e a Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas com vista a apoiar e incentivar a utilização sustentável dos recursos dos solos em África e a Parceria Mundial sobre Solos para a Segurança Alimentar.

O Atlas explica a origem e funções do solo, descreve os diferentes tipos de solos e a sua relevância para as questões não só locais como também mundiais. Aborda também as principais ameaças aos solos e as medidas que estão a ser tomadas para proteger os recursos dos solos.

Factos-chave sobre o Atlas
98 por cento das calorias consumidas em África têm origem nos recursos dos solos africanos;

A matéria orgânica no solo pode armazenar mais de dez vezes o seu peso de água, o que reduz o risco de cheias e protege as reservas de água subterrâneas;

Os solos de África armazenam cerca de 200 gigatoneladas de carbono orgânico — 2,5 vezes mais do que o contido nas plantas do continente;

Os solos da floresta tropical não são naturalmente férteis, necessitando de adições constantes de matéria orgânica proveniente da vegetação natural. A desflorestação quebra este ciclo;

Mais de metade dos solos africanos são solos arenosos (22 por cento), solos pedregosos pouco profundos (17por cento) e solos jovens pouco desenvolvidos (11 por cento).

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