Médico terá de realizar experiências na tripulação num dos lugares mais inóspitos do planeta
(Ciência Hoje - Portugal) A Agência Espacial Europeia (ESA) está à procura de um médico para integrar, durante 12 meses, a partir de Novembro, a equipa da sua base na Antárctida, Concordia, estação polar coordenada pelo Instituto Polar francês IPEV e pelo programa italiano para a Antártida PNRA. Durante nove meses por ano, a estação fica isolada do resto do mundo, não havendo nenhuma possibilidade de alguém sair de lá, nem mesmo em caso de emergência.
A função do médico será fazer experiências fisiológicas e psicológicas à tripulação. Este ano, o médico financiado pela ESA é Evangelos Kaimakamis, que chegou à base em Janeiro.
A tripulação de 16 pessoas tem de estar preparada para tudo, com pouco oxigénio no ar, uma baixa humidade, temperaturas exteriores que chegam aos -80 graus C e ausência total de luz solar durante quatro meses. A ESA estuda os efeitos da vida neste ambiente extremo porque é semelhante em muitos aspectos a uma missão espacial.
“Viver aqui é diferente de tudo o que alguma vez vivi. A tripulação é fantástica e estamos a tornar-nos num grupo muito coeso. Trabalhar aqui é compensador e pode mudar a perspectiva que temos para a nossa carreira. As experiências são muito interessantes e mantêm-me ocupado grande parte do dia”, diz Evangelos Kaimakamis.
O médico admite que “viver num sítio tão remoto, longe da civilização, é mesmo uma experiência única. O céu nocturno é impressionante e vai ficar ainda mais uma vez porque o Sol ainda não se pôs por completo”.
A ESA está a receber, assim, candidaturas de licenciados em Medicina, com “espírito de aventura”, sentido de “responsabilidade” e que estejam livres a partir de Novembro. Além da pessoa seleccionada ir “contribuir para a ciência” e para o “benefício da humanidade”, irá também usufruir das “melhores vistas do mundo”, diz a agência em comunicado.

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