Uma consequência do recuo ou da inexistência de gelo à superfície da água é a possibilidade de as correntes marítimas começarem a mexer-se mais depressa ou em diferentes direcções (DR (site: BBC))(Público - Portugal) O satélite Cryosat-2, desenvolvido pela Agência Espacial Europeia, já conseguiu obter os primeiros resultados de relevo desde que foi lançado para a órbita terrestre, em Abril deste ano. Os dados recolhidos até agora já permitiram a criação de um mapa mostrando a circulação oceânica na bacia do Ártico, no Pólo Norte, e o impacto que poderão ter as alterações a estas correntes no futuro do Planeta.
A primeira missão do Cryosat-2 era a de medir a grossura das placas de gelo marítimo, que têm vindo a tornar-se mais finas nas últimas décadas, em consequência do fenómeno conhecido por aquecimento global.
Paralelamente, os cientistas querem saber se as correntes marítimas poderão sofrer alterações em resultado de uma maior actuação do vento na água gelada, se esta perder a sua camada protectora de gelo.
“Ninguém sabe realmente como é que o Ártico irá comportar-se à medida que o gelo for recuando, mas antecipamos mudanças significativas”, indicou Seymour Laxon, um cientista e membro da equipa de cientistas da Cryosat, da University College London.
“Estes são apenas os primeiros dados e eles mostram que agora temos a ferramenta para monitorizar o que se está a passar”, disse Laxon à BBC.
Os primeiros resultados deste estudo foram, aliás, apresentados por este cientista em São Francisco, EUA, na mais recente reunião de Outono da American Geophysical Union, o maior encontro anual de cientistas que estudam a Terra.
Correntes árticas poderão chegar ao Atlântico Norte
A região do Ártico tem assistido a um dramático recuo do gelo nos meses de Verão, mais do que aquilo que as previsões por computador tinham antecipado.
Uma consequência do recuo ou da inexistência de gelo à superfície da água é a possibilidade de as correntes marítimas começarem a mexer-se mais depressa ou em diferentes direcções.
E isto poderá ter consequências que vão muito para além da bacia Ártica. O fenómeno poderá afectar as águas abaixo do Ártico, nomeadamente os mares da Noruega e da Gronelândia e, em última instância, o Atlântico Norte, indica a BBC.
Outro dos motivos de preocupação dos cientistas reside nas águas quentes que se encontram no Ártico a grande profundidade. Actualmente, estas águas não conseguem chegar à superfície, por causa da massiva camada de água mais fria e menos densa que medeia os dois extremos. Mas se estas águas mais quentes conseguissem subir, isso poderia ter um impacto catastrófico na formação e retenção das coberturas de gelo.
Aquilo que se pretende que o Cryosat faça é fornecer mais dados para testar todas estas teorias em modelos computorizados mais rigorosos.
A tipografia oceânica
Nestes primeiros meses de estudo, os cientistas - que levaram a cabo medições das diferenças de altura entre duas superfícies diferentes, a superfície gelada do Ártico e a água em estado líquido que se antevê nas fissuras - conseguiram já elaborar um mapa que mostra aquilo que os cientistas descrevem como uma tipografia oceânica dinâmica que é, basicamente, a altura, em metros, da superfície da água tendo o nível gravitacional por referência.
Explicado de forma simples, este mapa (ver foto) dá uma ideia de para onde está a ir a água ou seja, para onde vão as correntes. “Aquilo que nós mostrámos foi a primeira imagem completa da tipografia oceânica dinâmica no Oceano Ártico. Todas as missões precedentes tinham grandes buracos nos seus dados por causa das órbitas; mesmo o satélite americano Icesat - que fez um óptimo trabalho - só foi até aos 86 graus Norte. O Cryosat vai até aos 88”, indicou Seymour Laxon.
No hemisfério Norte, as correntes oceânicas mexem-se no sentido dos ponteiros do relógio em torno dos pontos mais elevados e no sentido contrário dos ponteiros do relógio em torno dos pontos mais baixos. Tendo isto em atenção, o mapa põe em evidência o movimento do Beaufort Gyre, a grande rotação no sentido dos ponteiros do relógio que faz mexer a água em torno do Ártico e o movimento do Transpolar Drift, que rotineiramente vai buscar as correntes ao lado russo da bacia do Ártico.
A primeira missão do Cryosat-2 era a de medir a grossura das placas de gelo marítimo, que têm vindo a tornar-se mais finas nas últimas décadas, em consequência do fenómeno conhecido por aquecimento global.
Paralelamente, os cientistas querem saber se as correntes marítimas poderão sofrer alterações em resultado de uma maior actuação do vento na água gelada, se esta perder a sua camada protectora de gelo.
“Ninguém sabe realmente como é que o Ártico irá comportar-se à medida que o gelo for recuando, mas antecipamos mudanças significativas”, indicou Seymour Laxon, um cientista e membro da equipa de cientistas da Cryosat, da University College London.
“Estes são apenas os primeiros dados e eles mostram que agora temos a ferramenta para monitorizar o que se está a passar”, disse Laxon à BBC.
Os primeiros resultados deste estudo foram, aliás, apresentados por este cientista em São Francisco, EUA, na mais recente reunião de Outono da American Geophysical Union, o maior encontro anual de cientistas que estudam a Terra.
Correntes árticas poderão chegar ao Atlântico Norte
A região do Ártico tem assistido a um dramático recuo do gelo nos meses de Verão, mais do que aquilo que as previsões por computador tinham antecipado.
Uma consequência do recuo ou da inexistência de gelo à superfície da água é a possibilidade de as correntes marítimas começarem a mexer-se mais depressa ou em diferentes direcções.
E isto poderá ter consequências que vão muito para além da bacia Ártica. O fenómeno poderá afectar as águas abaixo do Ártico, nomeadamente os mares da Noruega e da Gronelândia e, em última instância, o Atlântico Norte, indica a BBC.
Outro dos motivos de preocupação dos cientistas reside nas águas quentes que se encontram no Ártico a grande profundidade. Actualmente, estas águas não conseguem chegar à superfície, por causa da massiva camada de água mais fria e menos densa que medeia os dois extremos. Mas se estas águas mais quentes conseguissem subir, isso poderia ter um impacto catastrófico na formação e retenção das coberturas de gelo.
Aquilo que se pretende que o Cryosat faça é fornecer mais dados para testar todas estas teorias em modelos computorizados mais rigorosos.
A tipografia oceânica
Nestes primeiros meses de estudo, os cientistas - que levaram a cabo medições das diferenças de altura entre duas superfícies diferentes, a superfície gelada do Ártico e a água em estado líquido que se antevê nas fissuras - conseguiram já elaborar um mapa que mostra aquilo que os cientistas descrevem como uma tipografia oceânica dinâmica que é, basicamente, a altura, em metros, da superfície da água tendo o nível gravitacional por referência.
Explicado de forma simples, este mapa (ver foto) dá uma ideia de para onde está a ir a água ou seja, para onde vão as correntes. “Aquilo que nós mostrámos foi a primeira imagem completa da tipografia oceânica dinâmica no Oceano Ártico. Todas as missões precedentes tinham grandes buracos nos seus dados por causa das órbitas; mesmo o satélite americano Icesat - que fez um óptimo trabalho - só foi até aos 86 graus Norte. O Cryosat vai até aos 88”, indicou Seymour Laxon.
No hemisfério Norte, as correntes oceânicas mexem-se no sentido dos ponteiros do relógio em torno dos pontos mais elevados e no sentido contrário dos ponteiros do relógio em torno dos pontos mais baixos. Tendo isto em atenção, o mapa põe em evidência o movimento do Beaufort Gyre, a grande rotação no sentido dos ponteiros do relógio que faz mexer a água em torno do Ártico e o movimento do Transpolar Drift, que rotineiramente vai buscar as correntes ao lado russo da bacia do Ártico.
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