quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Erupção vulcânica provocou tsunami gigante há 3.000 anos, diz estudo

Grande erupção do vulcão Thera no Mar Egeu, há mais de 3.000 anos, fez ondas monstruosas que percorreram centenas de km


(The New York Times / Folha) A grande erupção do vulcão Thera no Mar Egeu, há mais de 3.000 anos, produziu ondas monstruosas que percorreram centenas de quilômetros do leste do Mediterrâneo para inundar a área que hoje é Israel e provavelmente outras regiões costeiras, descobriu uma equipe de cientistas.

Os pesquisadores, em artigo publicado na edição de outubro da revista "Geology", disseram que a nova evidência sugere que tsunamis gigantes da erupção catastrófica atingiram "áreas costeiras por todo o litoral do leste do Mediterrâneo". Tsunamis são ondas gigantes que podem atingir a costa, rearranjar o leito do mar, inundar vastas áreas de terra e carregar material terrestre para o mar.

A região, na época, era habitada por civilizações em ascensão em Creta, Chipre, Egito, Fenícia e Turquia.

Durante décadas, estudiosos sugeriram que a erupção gigante, a apenas 112 km de Creta, pode ter causado o misterioso colapso da civilização minóica no seu apogeu. Os remanescentes da erupção do Thera hoje formam um arquipélago circular de ilhas vulcânicas gregas conhecidas como Santorini.

Acredita-se que Thera tenha entrado em erupção entre 1630 e 1550 a.C., ou final a Idade do Bronze, uma época em que muitas culturas humanas faziam produziam ferramentas e armas de bronze. Estudiosos afirmam que os tsunamis e as nuvens densas de cinzas vulcânicas originadas da erupção tiveram repercussões culturais que ecoaram por todo o leste do Mediterrâneo por décadas, até séculos. A queda da civilização minóica é geralmente datada ao redor de 1450 a.C. Geólogos julgam que a erupção tenha sido muito mais violenta que a erupção da ilha vulcânica de Krakatoa, na Indonésia, que matou mais de 36 mil pessoas em 1883.

Os cinco pesquisadores sobre os tsunamis vieram da Haifa University, em Israel; da Hunter College, em Nova York, McMaster University, no Canadá; e University of Hawaii, no Havaí.

A equipe realizou suas escavações fora de Cesareia, Israel, uma cidade costeira que data da época do império romano e bizantino. A região costeira era apenas esparsamente habitada na época da erupção do Thera, sem nenhuma cidade identificável.

A equipe submergiu meia dúzia de tubos no leitor do mar longe da costa e recolheu sedimentos para análise. Eles buscavam sinais padrões da agitação do tsunami, incluindo pedra-pomes (a rocha vulcânica que se solidifica a partir de larva espumosa), padrões especiais de microfósseis, materiais culturais de habitações humanas e seixos de praia que raramente aparecem em águas mais profundas.

Em artigo publicado na "Geology", um jornal publicado pela Geological Society of America, a equipe relatou ter descoberto evidências de três tsunamis --dois historicamente documentados, datados dos anos 115 e 551 d.C., e um da época da erupção do Thera.

Os tsunamis do Thera, escreveu a equipe de pesquisadores, deixaram uma camada peculiar no leito do mar de seixos arredondados, padrões especiais de moluscos e inclusões características em fragmentos rochosos, todos orientados para a mesma direção.

A camada agitada, de até 40 cm, veio de alguns metros abaixo do leito oceânico em águas de até 20 metros de profundidade.

"Essas descobertas", escreveu a equipe de pesquisadores, "constituem a evidência mais abrangente até hoje de que o evento do tsunami precipitado pela erupção de Santorini alcançou a extensão máxima do leste do Mediterrâneo".

Os pesquisadores acrescentaram que, se as ondas gigantes eram grandes o suficiente para chegar até Israel, "então possivelmente outras regiões costeiras do final da Idade do Bronze por todo o litoral do leste do Mediterrâneo também foram afetadas".

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